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Samba pra gente sambar

Tudo é Música!


Ela está presente na minha existência, olhares, gestos, o que sou, o que faço e para onde vou. Diariamente dedico e dedilho notas no meu violão de aço e o que antes era uma extensão do meu corpo hoje se tornou uma conexão de alma, amplificando e transcendendo meu ser, ao cantar e tocar entro em estado de meditação, iluminação, na música me “transformo, transporto, transbordo”...

Nestes últimos dias do ano de 2020, tão complexo e brutal, com muita ansiedade, insônias constantes, numa dessas madrugadas inquietas e criativas, comecei a caminhar descalço pelo meu atelier, um sobrado localizado na rua minas gerais em São Paulo, peguei o violão e fui em direção a janela, que fica para a rua pois precisava sentir o vento, as estrelas, olhar a lua, respirar... e ao inspirar sentei e comecei a cantar, tocar de forma intensa, como se estivesse diante de uma multidão, cantando para o mundo que naquele momento estava completamente em silêncio, parecia não ter ninguém, apenas eu e a lua, já eram quatro e meia da manhã e a música escolhida para aquele momento estava latente dentro mim, “Na Hora do Almoço” do grande Belchior que tive a honra e a oportunidade de conhecer e em várias situações que nos encontramos cito o momento marcante em minha vida quando dividimos camarim e palco juntamente com Jards Macalé na primeira virada cultural de São Paulo que aconteceu na USP. Dois grandes mestres da nossa música que me influenciaram muito.


“...que eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza

deixemos de coisa cuidemos da vida

senão chega a morte ou coisa parecida

e nos arrasta moço sem ter visto a vida...”

Cantei para a rua como se estivesse me rasgando por dentro, um gesto de amor, deixando a matéria alçando vôo, um mergulho profundo... ao terminar um silêncio imenso tomou conta de mim, de tudo. Coloquei então meu violão no chão e ao olhar para a lua eis que um chamado vem pela minha janela, pelo vento, um aviso, um sinal, uma mensagem, um canto vindo da rua, da alma, um frescor divino de uma voz feminina, uma moradora de rua que estava escondida na lateral da casa e que me ofertara este presente ao cantar com uma força incrível : “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar...”de Aloisio Silva e Edson Conceição. Me tocou profundamente todo o significado da sua atitude, seu canto, os versos, momento único. A partir daquele instante algo mudou dentro de mim, me inspirou a erguer a cabeça, o pensamento, a compor, a cantar, a resistir, existir, pois o samba não vai morrer, não deixe acabar, deixemos de coisa cuidemos da vida, pois tudo é samba pra gente sambar...

Tudo é música !!!


Vídeo gravado da voz que ouvi na Rua Minas Gerais - SP

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Muita Luz e Poesia!!

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